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Está prestes a juntar-te a um projeto raro na Europa, onde a pesquisa arqueológica é intrinsecamente ligada às outras valências do meio ambiente.

O estudo sobre os vestígios arqueológicos do Neolítico Antigo na Herdade do Freixo do Meio, tem como principal objetivo estudar a paisagem natural alentejana e as formas de adaptação do ser humano a ela. O Neolítico Antigo é o primeiro momento da história da Humanidade em que o ser humano procurou, de forma intencional, ter um impacto sobre a produção de recursos na Natureza. No entanto, durante milénios, a exploração neolítica manteve um impacto baixo no meio ambiente, respeitando os seus ritmos e necessidades. Estudar com profundidade os seus vestígios permitirá apoiar a investigação científica de outras áreas, na proteção da paisagem natural alentejana, e sobre as formas mais sustentáveis de a explorar.

O arqueólogo Manuel Calado iniciou a sua investigação na Herdade do Freixo do Meio em 2020, lançando um projeto de prospeção arqueológica para compreender melhor a história da humanidade nesta região.
Ao longo de dois anos, as suas investigações revelaram um património arqueológico importante, lançando as bases para mapear e reconstruir a cronologia das ocupações e movimentos humanos no Montado durante o Neolítico.

Agora, o objetivo é dar continuidade a este trabalho, alargando e aprofundando a área de escavação, para gradualmente desvendar novas perspetivas sobre como os humanos outrora habitaram esta paisagem.


Conhece as cooperativas

Herdade do Freixo do Meio

Herdade do Freixo do Meio é um espaço de gestão partilhada, que desde 1997 pratica uma Agricultura Biológica, que procura regenerar a paisagem natural alentejana, conhecida como Montado.

Integrando educação ambiental, conservação da natureza, permacultura, pastoreio, agrofloresta e o uso de recursos alternativos (como as bolotas), e apoiada por diversas instituições de investigação, a Montado do Freixo do Meio funciona há décadas como um Laboratório Vivo de Agroecologia. Este projeto foi oficialmente reconhecido e reforçado com o estatuto de Área Protegida.

Entre os seus valores fundamentais está a missão de conservar e potenciar os recursos naturais, incluindo a biodiversidade, o clima e a atmosfera, ao mesmo tempo que reduz a erosão e a poluição do ar, solo e água, através da aplicação de técnicas adequadas; criar e preservar raças autóctones de gado; e utilizar sementes e variedades de plantas locais sempre que possível.


ARCUS

A ARCUS é uma cooperativa de profissionais do setor cultural, que trabalha desde 2022 para inovar as formas como o património histórico e arqueológico é estudado, preservado e partilhado.

A ARCUS combina a tradição cooperativa com a inovação no âmbito do património cultural. Somos uma equipa de especialistas empenhados na prevenção, salvaguarda, promoção, investigação e difusão deste legado partilhado, ao mesmo tempo que fomentamos o valor cultural e o desenvolvimento socioeconómico dos nossos membros. A nossa visão multidimensional encarna a essência de uma cooperativa multi-sectorial, em constante busca de inovação.


Conhece os arqueólogos

Filipa Santos

A Filipa Santos tem um Mestrado em Arqueologia pela Universidade de Lisboa, com especialização em cerâmica. Ao longo da sua carreira profissional, tem dedicado a sua atividade à gestão do Património Cultural e à arqueologia de salvaguarda e emergência, tanto em contextos urbanos como rurais, em Portugal, Espanha e Moçambique.

Durante vários anos, integrou o projeto de Valorização de um sítio arqueológico no Alentejo (Portugal), onde a investigação científica serviu de base para projetos de comunicação de ciência e iniciativas educativas, em parceria com escolas, teatros e associações locais.

Além disso, participou em Estudos de Impacto Cultural em Moçambique e colaborou em várias escavações e projetos em Portugal e Espanha, contribuindo para a investigação de sítios arqueológicos desde a Pré-História, Idade do Ferro e períodos históricos.

A Filipa integra a ARCUS, desde 2023.


Nelson Almeida

Nelson J. Almeida é Professor Auxiliar no Departamento de História da Universidade de Évora. Doutorou-se em Quaternário, Materiais e Culturas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em 2017.

A sua investigação centra-se na Pré-História e Proto-História Ibérica Tardia, bem como nas relações humano-animais.

Trabalha sobre a Pré-História Tardia da Europa Ocidental, abrangendo trabalho de campo arqueológico, cultura material e análise zooarqueológica. Os seus estudos exploram as relações humano-animais a longo prazo, combinando dados empíricos com abordagens interpretativas e relacionais, com particular enfoque na subsistência, práticas sociais e o papel dos animais nas sociedades passadas.

Atualmente, é investigador no CHAIA (Centro de História da Arte e Investigação Artística) e no UNIARQ (Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa).

O Nelson integra a cooperativa O Legado da Terra, desde a sua fundação em 2022.


Catarina Basílio

Ana Catarina Basílio é arqueóloga, investigadora e professora na Universidade de Évora. Atualmente, trabalha no Município de Reguengos de Monsaraz, onde se dedica à investigação, proteção e divulgação do património arqueológico regional.

A sua investigação tem-se centrado nas grandes transformações que marcaram a transição entre o Calcolítico e o início da Idade do Bronze no Sul de Portugal, tema que desenvolveu no âmbito do seu doutoramento, realizado no ICArEHB – Universidade do Algarve, com defesa para breve.

Entre o terreno, a universidade e a comunidade, procura compreender o passado e encontrar novas formas de o aproximar das pessoas. A sua investigação centra-se nas grandes transformações que marcaram o Calcolítico e o início da Idade do Bronze no Sul de Portugal, com um foco particular na fase Campaniforme.

A Catarina integra a ARCUS, desde a sua fundação em 2023.


Manuel Calado – Consultor científico do Freixo do Meio

Manuel é um arqueólogo e historiador, com uma carreira marcada por contribuições significativas para o estudo da pré-história e da arqueologia em Portugal. O seu trabalho é amplamente reconhecido pelas escavações e estudos de monumentos megalíticos, em particular na região do Alentejo, com enfoque em antas, cromeleques e menires, tendo contribuído profundamente para o conhecimento sobre as sociedades pré-históricas que habitaram a Península Ibérica. É doutorado em História e Arqueologia pela Universidade de Lisboa e, atualmente, é professor convidado no IPS e na Faculdade de Belas Artes.

Trabalha com a Herdade do Freixo do Meio desde 2020 e foi responsável pelas primeiras investigações arqueológicas neste terreno. Tem vindo a explorar técnicas de arqueologia experimental, com o objetivo de simular a vida num povoado com mais de 7.000 anos no Freixo do Meio — um local que poderá visitar e fazer parte.

Os estudantes irão viver em conjunto na Herdade do Freixo do Meio, nas proximidades do sítio arqueológico.

Durante a semana, escavaremos de manhã (das 7h30 às 13h), seguindo-se o almoço na cantina. Nas tardes, as atividades variam consoante o dia: haverá tardes dedicadas ao descanso, aproveitando a tranquilidade do campo, outras para aquisição de conhecimentos com atividades de arqueologia experimental, trabalho laboratorial e inventário de artefactos e outras serão de partilha de conhecimentos com workshops de atividades tradicionais como cestaria e olaria.

A Herdade do Freixo oferece uma experiência verdadeiramente única, enquadrada num espírito de cooperação e propósito partilhado. Enquanto o programa decorre, a vida na Herdade – desde a agricultura ao pastoreio e outras atividades – continuará como habitual.

Os estudantes serão convidados a conhecer esta atmosfera colaborativa, com visitas guiadas à Herdade do Freixo e com envolvimento na sua vida diária.

Aos fins de semana, reservamos um dia exclusivamente para descanso e relaxamento, enquanto o outro será dedicado a visitas guiadas a vilas, museus e sítios arqueológicos do distrito de Évora.

No final do projeto, serás capaz de:

Abordar uma escavação arqueológica desde o início.

Compreender o método de escavação e o conceito de estratigrafia arqueológica.

Realizar mapeamento e registo de campo.

Familiarizares-te com a cultura material do Neolítico do Sudoeste Ibérico.

Dominar noções básicas de representação gráfica e mapeamento de sítios.

Estar melhor preparado/a para os desafios arqueológicos na tua carreira!

Liga-te ao projecto

O projeto tem dois programas de duas semanas cada. O 1º programa realiza-se de 14 a 27 de março de 2027 e o 2º programa realiza-se de 5 a 18 de setembro de 2027.

Chegar a Lisboa e à Herdade do Freixo do Meio

Para o 1º programa
No dia 14 de março, encontramo-nos todos no aeroporto de Lisboa. Daí seguiremos juntos até à Herdade do Freixo do Meio, em Foros de Vale Figueira (Montemor-o-Novo). Isso significa que deves chegar a Lisboa até às 15h do dia 14 de março.
No final do projeto, iremos levar te de regresso ao aeroporto de Lisboa no dia 27 de março de 2027.

Para o 2º programa
No dia 5 de setembro, encontramo-nos todos no aeroporto de Lisboa. Daí seguiremos juntos até à Herdade do Freixo do Meio, em Foros de Vale Figueira (Montemor-o-Novo). Isso significa que deves chegar a Lisboa até às 15h do dia 5 de setembro.
No final do projeto, iremos levar te de regresso ao aeroporto de Lisboa no dia 18 de setembro de 2027.

Conselhos gerais
Recomendamos chegares a Lisboa alguns dias antes, se possível, para te adaptares ao jet lag e explorares esta bela cidade e arredores.
Lembra-te que, em voos de longa distância (como os provenientes da Austrália ou dos Estados Unidos), provavelmente terás de sair da tua cidade no dia anterior à data de chegada prevista.
Se não conseguires chegar a tempo até 14 de março (1º programa) ou até 5 de setembro (2º programa), ainda assim poderás participar no projeto. Terás apenas de apanhar o autocarro (cerca de 1 hora) de Lisboa para Montemor-o-Novo.
No último dia, alternativamente, podemos deixar-te no centro de Lisboa se planeias ficar na cidade alguns dias após o projeto.
Não hesites em contactar-nos para esclarecer qualquer dúvida. Podemos sempre ajustar as opções conforme as necessidades do grupo.


Alojamento e rotina

Quartos
Os quartos acomodarão normalmente dois ou três estudantes, devido ao espaço limitado. Os quartos serão separados por género.
Fora dos quartos, o resto da casa — incluindo cozinha, casa de banho e sala de estar — é comum. Os estudantes serão responsáveis por manter a casa limpa e arrumada, bem como por lavar a sua própria roupa.

Refeições
De segunda a sexta-feira, o projeto fornece 3 refeições por dia: o pequeno-almoço será tomado na casa, e os estudantes deverão preparar esta refeição sozinhos (serão fornecidos ingredientes como cereais, iogurtes, pão, etc.). O almoço e jantar serão servidos na cantina local.
Ao fim de semana, as refeições podem ocorrer na vila ou noutros locais, dependendo das visitas guiadas. Se necessário, poderá ser pedido aos estudantes que preparem as suas próprias refeições (a equipa fornecerá os ingredientes necessários).
Os estudantes devem esperar comer a cozinha tradicional da região do Alentejo.
O projeto fará o seu melhor para acomodar necessidades alimentares especiais, mas os estudantes devem indicar quaisquer requisitos dietéticos ou alergias nos formulários. Conseguimos acomodar dietas vegetarianas, mas quaisquer outras dietas devem ser discutidas antes do início do projeto.


O que trazer para Portugal

Sugestões sobre o que trazer para o projeto e para o dia a dia.
A vila de Foros de Vale Figueira tem um supermercado com artigos de primeira necessidade. A cidade de Montemor-o-Novo tem vários supermercados.
As ferramentas serão fornecidas pelo projeto, por isso não é necessário trazer as tuas.

Itens relacionados com a escavação:

Roupas confortáveis: as temperaturas podem variar entre 20°C e 35°C (68°F–95°F).

Calças: a maioria dos estudantes usa calças compridas, jeans, etc.

Casaco/sweatshirt: pode estar fresco de manhã e à noite.

Sapatos fechados e resistentes (botas).

Casaco impermeável.

Mochila/bolsa: para transportar protetor solar, luvas, chapéu, etc. para levar para as escavações todos os dias.

Bandana/máscara anti-poeira: para proteção contra o pó.

Protetor solar.

Chapéu: para proteção solar.

Itens do dia a dia:

Passaporte! 

Telemóvel desbloqueado (deves comprar um cartão SIM no aeroporto).

Adaptador para tomada do sul da Europa.

Dinheiro para gastos/cartão bancário internacional (há ATMs no aeroporto de Lisboa e em Montemor-o-Novo).

Canetas/lápis/caderno.

Toalha.

Artigos de higiene pessoal (também podem ser comprados no supermercado).

Sapatos confortáveis para passear pela vila (alguns estudantes gostam de usar chinelos em casa).

Medicação – há uma farmácia em Foros de Vale Figueira, mas poderá haver alguns medicamentos mais específicos indisponíveis.

Propina para o programa de duas semanas: 1520 EUR (inclui alojamento, refeições durante a semana, transporte dentro de Portugal, visitas guiadas e contribuição para o projeto de investigação e pedagógico na Herdade do Freixo do Meio).

Estamos atualmente a recrutar candidatos para a primeira edição da escavação de um sítio neolítico na Herdade do Freixo do Meio. Procuramos uma equipa pequena, por isso inscreve-te cedo!

Não é necessária experiência prévia em arqueologia — todos são bem-vindos a candidatar-se.

Estás à vontade para contactar-nos para mais informações.

Data limite de candidatura: 15 de janeiro de 2027, para o 1º Programa e, 15 de junho de 2027, para o 2º Programa

A candidatura deve incluir os seguintes elementos:

Nome, endereço de e-mail, nacionalidade, data de nascimento e afiliação académica atual (se aplicável).

Respostas a algumas perguntas breves sobre o teu interesse no programa.

Indicação de todas as necessidades dietéticas, alergias e/ou questões de saúde relevantes.

Cópia do teu CV ou resumo académico/profissional (em formato .docx ou .pdf).

Processo de inscrição:

  1. Descarrega e preenche o formulário de inscrição e envia-o como anexo no e-mail de candidatura.
  2. Envia o e-mail de candidatura para filipa.ar.santos@arcus.pt com os respetivos documentos anexados.

Se precisas de mais informação contacta-nos!

whatsapp: +351 913 858 884 (Filipa Santos)